Uma vez quando eu tinha uns 12 anos alguém me falou que eu lembrava muito minha mãe. Fiquei horrorizada com isso e ela ainda mais horrorizada por eu ter ficado horrorizada. Desse dia em diante eu comecei a ficar atenta a cada vez que algum gesto ou entonação de voz meus imitavam os da minha mãe e mais tarde, perceber também atitudes e modos de pensar semelhantes. Vejam bem, não é que e não goste da minha mãe, tenho um amor enorme e uma adminiração maior ainda pela maneira como ela me criou. Ao mesmo tempo, ela também nunca foi o exemplo de mulher que eu queria ser quando crescesse e tenho inúmeras críticas à maneira como ela conduz várias coisas na vida dela. Isso não seria de modo algum motivo de preocupação se eu nunca tivesse notado a semelhança entre nós. Como ela é evidente, acabo me irritando demais com ela por puro medo de ficar igual. A maior parte de nosas discussões eram por conta dessas minhas críticas e das minhas tentativas de mudar hábitos dela que me incomodavam, que só há pouco tempo comecei a enxergar como uma esperança que se ela melhorasse eu também poderia ser melhor no futuro. Caiu a ficha que só porque eu sou parecida com ela não preciso me tornar igual a ela quando tiver a mesma idade e que em vez de ficar tentando mudá-la eu tenho que trabalhar para me mudar e é nisso que eu deveria me focar, mas está difícil… Difícil parar de me irritar, difícil não me apavorar cada vez que eu descubro o quanto ela era parecida comigo quando tinha minha idade e difícil não me perguntar em que ponto aquela pessoa que parecia tanto comigo virou a pessoa que eu não quero ser e nem ficar morrendo de medo de tomar o mesmo rumo. Nesses dias em que voltei a conviver com ela todos os dias por conta da minha recuperação esse meu conflito interno está me tirando o sono. Vamos ver se pelo menos esses dias podem servir para evoluir um pouco nesse campo, seja na minha relação com ela quanto comigo mesma.
Junho 29, 2009