A Camila me convidou (ou desafiou) a tirar uma fotografia literal. Respirei fundo. Acho que estava mesmo na hora de fazer um registro. Os balanços mentais sempre existem, mas conversas e textos nos obrigam não só a pensar, mas a concluir o raciocínio. E nada melhor que uma amiga pra nos fazer refletir de vez em quando, não?

Então vamos começar registrando aquilo já devia ter merecido um post há muito tempo: Finalmente virei mulher! Sempre fui uma maria moleque radical desde pequena. Nunca tive Barbies ou equivalentes genéricas. Gostava de brincar de pega-pega e jogar bafo com os meninos na escola (Tá bom, era pra ganhar figurinhas brilhantes pra colar no caderno, mas jogava). Veio a adolescência e eu continuei fazendo o sinal da cruz para aulas de balé, jazz e coisas do gênero. Tinha tamanha falta de familiaridade com um batom que quando precisava passar um as mulheres mais velhas ao redor até se ofereciam para ajudar quando viam a minha total descordenação.

Quando eu já achava que era um caso totalmente perdido, eis que começou um flerte com o mundo cor-de-rosa. Não tenho muita certeza, mas acho que tudo começou com minhas sobrinhas, que são absolutamente graciosas e femininas desde que deram seus primeiros passinhos dentro de seus sapatinhos com lacinhos. Passei um longo período “virando mocinha” e hoje sou mulherzinha assumida. Adoro babados, flores, unhas coloridas e uso vestidos porque são bonitos e não porque são a coisa mais rápida e prática de se vestir (apesar de continuar achando isso). Leio romances açucarados, assisto muita comédia romântica, séries de menininha e ainda choro no final.

Claro que tudo isso teve suas conseqüências e acho que a maior delas foi o fim de um relacionamento de anos. “Virar mulher” não significa somente passar a achar fofinhas coisas com enfeitinhos, envolve uma mudança de posturas, de comportamento e até de papéis. Envolve se comportar de maneira diferente e exigir ser tratada de outra maneira. Envolve olhar com olhos simpáticos algo que até então eu não desejava para a minha vida: a maternidade.

Essa eu feminina não era a mesma que tinha começado esse relacionamento anos atrás e esse relacionamento também não combinava mais com o que eu queria. Demorou mais para aceitar do que para perceber isso, mas uma vez aceita a realidade parece que tudo se encaixou muito melhor do que eu esperava. Hoje tenho outro relacionamento, que surgiu muito antes do que eu esperava e que aos poucos foi ticando todos os itens da lista do que a “nova eu” esperava de um “novo ele”. Cheers!

Além dele, tenho outras duas pessoas com quem falo diariamente, duas das minhas melhores amigas, com quem estou tendo essa fase maravilhosa de conseguir estarmos tão próximas uma da outra, num nível até um pouco exagerado, mas delicioso. Pensando bem, olhando para esta fotografia, talvez meu universo ande um tanto restrito. Não é que eu só tenha passado tempo com essas três pessoas, mas talvez essa convivência tão intensa tenha criado uma zona de conforto tão grande que eu tenha deixado pouco espaço ou ficado com preguiça de alcançar aqueles que não estão tão à mão. Hmm. Fotografia cumprindo seu papel de fazer refletir.

Vale constar também nesse registro do momento que faltam pouco menos de dois meses para o famigerado aniversário de 30 anos e apesar de algumas questões típicas da crise que costuma rondar este aniversário, por enquanto o saldo é mais positivo do que negativo. Veremos. A grande comemoração está marcada somente para o ano que vem: Uma viagem com minha amiga (sim, uma das duas de conversa diária) para comemorar os 15 anos da viagem de 15 anos que fizemos juntas. Enquanto a viagem não vem, dois dias antes do meu aniversário tem o show da Madonna, que desde que fiquei sabendo da data já tenho considerado como minha comemoração deste ano. Nada melhor para comemorar o fim de um ano tão feminino.

Para completar a fotografia, tem o lado profissional, que eu sempre enxerguei como um modo de ganhar dinheiro para fazer o resto das coisas que eu gosto, gastando o mínimo de tempo possível com isso. É o lado que eu menos gosto da minha vida, mas pelo menos posso dizer que tenho tido êxito nessa tarefa. Poderia ter um cargo melhor, um salário melhor? Poderia. Conseguiria isso cumprindo minha premissa inicial? Não sei. Até agora não achei um jeito. Às vezes me pergunto se já que a idéia é só ganhar dinheiro se não vale a pena partir para algo totalmente diferente com horários também diferentes para sair dessa rotina de escritório todo dia, mas até hoje não cheguei a uma conclusão se tem outra coisa que eu gostaria de fazer e também qual seria essa coisa. Por enquanto o importante é que eu gosto da maior parte das coisas que faço no trabalho e que isso tem me proporcionado minha casa, – já falei o quanto adoro morar sozinha? – meus prazeres de consumo e minha viagem de aniversário.

No fim das contas, a fotografia que tenho hoje – que já virou um pôster de tanto que eu escrevi – é de alguém sorridente, que não tem uma vida perfeita mas que está bastante satisfeita com o que tem e com boas expectativas para o futuro. Boa foto. Dedico à Camila. Muito obrigada por ter me proposto esse exercício, me fez muito bem. Digno de ser incluído na minha lista de to do´s, para ser repetido esporadicamente.

OBS.: Alguém sorridente e de biquíni, porque eu estou me sentindo pelada relendo tudo o que escrevi aqui, mas não me arrependo de ter publicado…